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Blog do Edson Valério
 


Sinto um aperto no peito
Quando penso em você
Foste você...com o teu jeito
Que tocaste nesta "vida"

Sinto a falta do teu ser
Para me dar muita alegria
Sinto falta de te ter
Ao meu lado dia-a-dia

Teu corpo quero sentir
Juntinho ao meu, colado
Quero dormir coladinho...ao seu lado...e também sempre...sempre
Acordar ao teu lado
Um abraço com Amor
Muito carinho, uma flor
Vai estar sempre presente

Em sonho ou realidade
Por ti bate um Coração
É o meu que na verdade
Te abraça com Paixão...muita paixão...e que ela fique sempre em AMOR...



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h32
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Uma coisa é importante: viver
E é porque o importante é viver, que os pássaros voam e fazem seus ninhos, que as arvores crescem e pedem sol e água, que os animais procuram seus alimentos.
Tudo clama pela vida, tudo que viver.
Viver é o grito de toda natureza. Nada é feito para a morte, tudo é feito para a vida. Se um ser morre e desaparece, é para que o outro ser tenha vida, e assim a vida continua e não tem fim.
Somos feitos para viver. Viver é o grito do coração humano. Embora a gente veja homens cansados, homens caindo sob o peso da vida, pessoas maldizendo a vida, temos que gritar:
viva a vida!
Vejo pessoas que não amam mais a vida.
Mas não amam porque não tem olhos para ver, ouvidos para ouvir, mãos para sentir, coração para amar, Tudo nestas pessoas esta tapado e cego. Quem abre seu coração sente um mar de vida passar pelos ares, um mar de vida que parte de outros corações.
Só não ama a vida quem esta fechado em si mesmo, quem pensa ser o centro do mundo. Nossos olhos são feitos para ver ao nosso redor; nossos ouvidos, para ouvir a musica que esta em todo o universo; nosso coração, para sentir a vida e o palpitar da vida de outros corações; nossas mãos, para apertar outras mãos.
Ressurreição! Grito de Deus para os homens desanimados, os homens cansados, nos homens deitados no caminho da vida!
Ressurreição! Grito do Cristo ressuscitado, Deus que é a vida, e que nos chama para a vida, vida que não acabará jamais.
Páscoa, significa passar o pessimismo para o otimismo, do olhar triste para o olhar alegre, da palavra destruidora para a palavra construtora e cheia de esperança, da confiança da vida para uma fé mais plena no que a vida pode dar. Isso é Páscoa!!!
É passar do mal para o bem, do egoísmo para o amor, da escravidão do pecado para a liberdade dos filhos de Deus.
Ressurreição! Cristo que diz: viva a vida! Cristo que diz: eu sou a vida, vinde a mim! Viva a vida!



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h15
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Hoje acordei com vontade e vou falar dos AMIGOS. Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril. Este texto foi escrito por
Marcos Lara Resende, e é tudo de bom. Ou não???



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h33
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Não vale a pena lutar por sonhos impossíveis...sonhos que, por trás de uma réstia de ilusão nos fazem correr, nos fazem sofrer
São meses e meses de paixão que, sem saber porquê...de repente se transformam em nada...são lágrimas sofridas, escondidas num sorriso
São horas de espera, de desespero...de instantes lindos que valeram uma eternidade
Hoje as palavras doeram.. mas tantas outras me encheram o coração
De que serve um amor que nos fez viver ...que nos fez de novo acreditar nos sonhos...
Que nos aqueceu, noites sem fim...que nos fez querer o impossível
Se não passou de uma ilusão?



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h18
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" Às vezes, gostar de mim é um desafio, uma prova de fogo que revela que eu realmente me amo ou finjo amar-me.Gostar de mim quando erro, quando fracasso, quando não dou conta, quando faço bem feito, e ainda encontro quem me critique ou zombe de mim por eu ter apenas sido o que eu sou: limitado, vulnerável, imperfeito, humano.
Gostaria de mim no fundo do poço, cabeça a mil, coração à zero, e ainda assim, ser capaz de ouvir e respeitar as referências do meu corpo, como um amigo fiel, atento e carinhoso. Amar-me é descobrir que eu sou eu e o outro é o outro.
Não é preciso que eu me justifique com você a todo momento, buscando a sua aprovação para o que eu faço e para o modo como eu estou fazendo: amar é reconhecer e aceitar as nossas diferenças e me amar é dar-me o direito de ser diferente. Ainda que, às vezes, isso represente ser rejeitado por você. Amar é dar a mim o que é meu para dar a você o que é seu. Para dizer "EU TE AMO", devo aprender a dizer "EU ME AMO". Do contrário, meu amor por você é apenas uma desculpa, um artíficio para conservá-lo na minha coleção particular de objetos úteis.Antes de você existe eu, sem que isso signifique presunção da minha parte ou menosprezo pela sua pessoa. E, embora eu me sinta muito feliz com a sua presença, antes de estar com você, estou comigo, não em um lugar imaginário de encontro, mas aqui. Não ontem, ou amanhã, mas agora. "

"É melhor atirar-se à luta em busca de dias melhores, mesmo correndo o risco de perder tudo, do que permanecer estático, como os pobres de espírito, que não lutam, mas também não vencem, que não conhecem a dor da derrota, nem a glória de ressurgir dos escombros. Esses pobres de espírito, ao final de sua jornada na Terra não agradecem a Deus por terem vivido, mas desculpam-se perante Ele, por terem apenas passado pela vida."



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h26
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No Meio do Nada
 
Vi os seus olhos
Eram apenas olhos
Eles não tinham um sonho
Para buscar sonho nos meus.
Fecharam-se quando beijei a tua face.
Eles não estavam sobre o meu rosto
Bailando o gosto de olhar-me
Não me  estudaram :
Se eu sorria, se eu temia.
Eles sabiam que eu queria.
Vi os teus lábios
Eles não eram apenas lábios
Eram um sulco misterioso
Caverna das palavras que eu não ouvi
Já falaram com Deus? Quantas vezes?
Quantas alegrias já bradaram?
Quantas murmurações? E quantos ais?
Teus lábios...
Beijos macios e molhados
Alguns HUMMMSSS intercalados
Entre os teus segredos animais
E os frágeis medos do teu coração.
Estive no meio do nada
Para não cantar os ais da solidão.
 
(Edilene Amaral)


Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h25
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Sexta-feira........O ruim não é terminar mais uma semana sem definições... O ruim é ver pessoas sem definições. Sem projetos para ousar na vida. Sem busca real de coração. Ou que simplesmente se acomodam e colocam à perder o que sempre quiseram.... O texto abaixo eu inseri no primeiro blog...e vale a pena ler novamente...porque....PESSOAS SÃO MÚSICAS

já perceberam? Elas entram em nossas vidas e deixam sinais.
Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais, presentes em cada clarão da manhã.Olhe a pessoa que esta ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia  brilhando no disco do olhar....procure escutar. Pessoas foram compostas para serem ouvidas, sentidas , compreendidas, interpretadas. Para tocarem nossas vidas, com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de  poderem  alçar todos os vôos; de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que a elas foi dado pelo Compositor Maior. Pessoas são como você. Pessoas são como músicas, como você, que acredito ter o prazer de continuar ouvindo.Pessoas têm que fazer o sucesso que lhes desejamos.Mesmo que não estejam nas paradas.Mesmo que toquem apenas e "simplesmente " no coração. 
Autor desconhecido



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h23
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Procura-se Amizade
 
Procura-se: amizade que não se venda, que não seja alugável, nem por prazo determinado ou indeterminado, nem muito menos para eventos.
Deve ser ampla o suficiente para que eu sempre me sinta à vontade. E ser ventilada pela brisa fresca da alegria de nos revermos.
É indispensável que tenha vista para a justiça e para a liberdade, em todas as suas acepções.
Precisa ter quatro quartos, e que necessariamente curta todos eles - mas a suíte da Lua cheia sempre será a preferida.
O sol do seu sorriso deverá brilhar todos os dias; em compensação, prometo que as nuvens que pairarem sobre nós servirão unicamente para que conversemos à sombra.
É importante que tenha uma história entre suas paredes. E, já que as paredes têm ouvidos, que se proponham a ouvir a minha história. Velhas e novas histórias, que ficarão muito mais enriquecidas pela interação com as suas velhas e novas histórias pessoais.
Na portaria, a segurança de que nada que nós digamos, ou façamos, será usada contra nós, em tempo algum. Muito ao contrário, tudo que nós confidenciarmos ao outro servirá para nos tornar mais íntimos, mais próximos, mais cúmplices e, ao mesmo tempo, mais amplos, mais abertos, mais encontrados, mais iguais.
A cozinha deverá ser integrada à sala dos nossos papos. Comeremos e beberemos ao sabor das frases temperadas e sorvidas pelo carinho e brilho nos olhos, alimentados pela admiração recíproca. Que nunca estará no freezer, porque sempre aquecida pelas lembranças do bom que tem sido ter uma amizade assim.
O corredor bem que servirá para que, volta e meia, nos encontremos de passagem. Mas um simples "Oi" será o suficiente para que nós relembremos o quanto nos gostamos. E a troca de sorrisos nos dirá o quanto nos queremos.
É importante que, eventualmente, chova lá fora. Pararemos para vê-la. E correremos, sorrindo, quando a atravessarmos. Saberemos que sentir o cheiro da terra molhada ficará ainda melhor com o cheiro da proximidade do outro.
A casa deverá ter sempre um cantinho para os irmãos e as irmãs. E um canto de boas-vindas se ouvirá à sua chegada.
Por mais que eu queira que essa casa seja muito minha, sei que reservarei o melhor espaço dela para os meus pais. E para os pais de quem me visitar. Porque sempre serei grato a eles por terem gerado pessoas tão amoráveis, parceiras, fascinantes, verdadeiras, confiáveis e maravilhosas como eu e você.
(Alberto Saraiva)


Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h42
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Abro a janela e encaro a luz do sol, inquisidor de fogo. Tanto calor, mas
não me aquece a alma nem o coração, esse continua de tons frios, sem a vivacidade de outrora.

Pego num fio de algodão, faço uma nuvem e colo-a no céu, tapando o sol.
Suspiro. Agora já não pode mostrar-me as flores que não quero ver, as cores que não quero ter.

Mas é fina a nuvem ainda, tão translúcida.
Encho-a, então, de mágoa e torno-a bem cinzenta.
Todos os seres sabem que as manhãs cinzentas aprisionam a alma.

Fico. É agora impossível ao sol iluminar  o mais pequeno pedaço de algo.
Assim estou protegida, penso. Vedei o caminho.

Mas uma brisa do mar, daquele mar que venero, vem e afasta esta nuvem que fiz.
Escondo-me ao vislumbrar o sol com a sua luz tão viva, mas tomo coragem,
inspiro esta brisa e beijo o amanhecer com o olhar.


Rapaela Bllat


Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h37
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Há quanto tempo você não escreve uma carta???. Hein??? Mesmo que não envie...daquelas que usamos o papel como um grande confessionário...

Cartas que não se escrevem mais
Repletas de afeto e de paisagens,
Onde haviam beijos nas vogais,
Manchados de sal nas suas margens

Havia em cada carta um ressurgir
Uma saudade, um verso, um lamento.
Haviam beijos selados, sofrimento,
E uma imensa vontade de partir.
Havia aquela ansiedade de te ler
Devagar, em ritmos dissonantes…
E era tanta a vontade de te ver
Onde tristes choravam consoantes
A carta está muito além dos mitos,
Escreve-se hoje por símbolos e sinais,
Mas há cartas e poemas não escritos
Em todos os olhos tristes que você vê por ai...

FROG



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h15
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Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:
“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência, essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.!“
Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:
“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“
E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“
Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.
E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:
“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“
Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.
O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...
A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.
RUBEM ALVES

E você??...como está sua solidão???

 



Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 07h33
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A HORA DO AMOR

Completamente bêbado de amor estou agora,
levantaram-se em minha alma as doçuras perdidas
as trêmulas campanas de uma vida sonora
carregam os celestes cansaços desta vida.

Vem crepúsculo morno, vem aurora rosada,
vem fragrância de beijos, vem calor de mulher.
Tanto tempo já faz que não espero a amada,
que me mordem os cães do desejo e da sede.

Mas se bêbado vou de amor já não me importa,
a esperança longínqüa que não pode volver,
as minhas rosas levo se a vida me for curta,
é claro!, os meus rosais sei que vão florescer.

Se porém levo todo os meus rosais fechados
dá-me fraterna mão, dá-me um fruto Senhor,
dá-me dois seios mornos e dois olhos amados,
porque sem eles, ai, que me vai ser do amor?
                                                             Pablo Neruda


Digitado, recebido, recortado, escolhido por Edson Valério às 08h15
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